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Le Corbusier














Nascido em 1887, na cidade relojoeira de Charles-de-Fonds, a mesma que acolhe as suas primeiras obras, acaba por ter um percurso de opostos, presente até na sua obra literária, baseado no contraste entre sólido e o vazio,luz e sombra, Apolo e Medusa.

No final da adolescência, envolve-se com o movimento Arts and Crafts, sendo A Villa Fallet, de influências do Jugendstil, compreende a absorção de todos os conhecimentos adquiridos na sua formação, numa linguagem vernácula e de fortes influências do seu mestre Charles L’Eplattenier, muito ligado a Owen Jones, e à Grammar of Ornament, que considerava que todo o ornamento deveria derivar do seu meio ambiente natural imediato.

No Outono de 1907, foi para Viena por mérito quanto aluno, para trabalhar com Hoffman. Mas o desafecto crescente pela corrente Jugendstil, foi reforçado depois do encontro com Tony Garnier, na altura em que ampliava seu projecto para uma cidade industrial.

As afinidades socialistas e utópicas, ligavam-nos e Corbusier, desde então começou a pressentir o nascimento de uma nova arquitectura que dependia dos fenómenos sociais.

Esse ano, pode ser entendido como um ponto de transformação da sua carreira, pois acabaria também por ir ao convento dos cartuxos de Ema, na Toscana, em que vivenciou pela primeira vez um espírito comunitário, que viria a tornar-se o seu modelo sóciofisíco, da sua reinterpretação das ideias de Garnier e L’Eplattenier, que o iria desenvolver em inúmeros projectos, considerando ser uma autêntica aspiração humana que se tinha concretizado: silêncio e solidão mas também o contacto diário entre os homens.


Em 1908, em Paris, conseguiu emprego no gabinete de Auguste Perret, que para além duma formação básica em betão armado, e da sua importância quanto material do futuro, como pela sua natureza monolítica e maleável, economia e durabilidade que constituem, mas também por ser um agente para a resolução do conflito entre a autenticidade estrutural gótica e os valores humanistas da forma clássica.

Esta passagem por Paris também foi enriquecida de um ponto de vista cultural, em que acedeu à cultura francesa clássica, museus e bibliotecas e salas de conferência.

Esta pluralidade de influências, tornam-se latentes na casa de seus pais, em que reinterpreta um tipo clássico e lhe procura transmitir um novo tipo de programa. Uma alteração tipológica, com suas referências espaciais e ideológicas, que se iriam tornar uma parte intrínseca de seu método de trabalho.


Em 1910 foi para a Alemanha, com objectivo de ampliar o seu conhecimento sobre a técnica do betão armado, contactando assim com as principais figuras do Deutsche Werkbund, sobertudo Peter Behrens e Heinrich Tessenow, que o influenciariam no cinema Scala e Villa Jeanneret Père especialmente. Ademais disso, consciencializou-se das novas conquistas da engenharia moderna de produção, navios, automóveis, aviões, que seriam o motivo do seu ensaio Olhos que não vêem.

Seguiu-se a viagem aos Bálcas e Ásia Menor, tornando-se a arquitectura Otomana uma grande influência, como descrita em Voyage d’Orient.

Em 1913, afastando-se de L’Eplattenier e Frank Lloyd Wright, abre o seu próprio gabinete com o objectivo da especialização em Betão Armado.














Em 1915, juntamente com o engenheiro Max du Bois, desenvolveu duas ideias que desenvolveria durante toda a década de 20. A primeira foi a reinterpretação da estrutura Hennebique como a Maison Dom-Ino, que seria a base estrutural para as suas casas até 1935. E as Villes Pilotis, que se fundamentava numa cidade para ser concebida sobre pilastras, conceito talvez proveniente da Rue Future de Eugène Hénard.

Em 1916, a Villa Schwob aparece como uma síntese de todo seu trabalho, uma exploração do sistema Hennebique, permitindo que se impusesse à estrutura, elementos extraídos de Hoffman, Perret e Tessenow, sendo a sua primeira casa concebida em termos honoríficos.

Pela primeira vez empregou linhas reguladoras, mantendo o controle proporcional sobre a fachada, recorrendo não raras vezes à secção aúrea. Nos anos seguintes, o tema da casa-palácio, teve sua consumação em duas escalas distintas. A villa burguesa individual e independente, de precedentes palacianos, como exemplo as realizadas antes da década de 20. A segunda é a habitação colectiva, constituída como um palácio barroco, que podia evocar através da sua planta “em recuo” os ideais de um falanstério, que se caracteriza por um lugar em que as pessoas se organizam mediante a sua vocação, quebrando a dictomia existente entre trabalho e prazer, sendo distribuídos segundo a necessidade.


Estética do Engenheiro


Apresentado por Perret a Amédée Ozenfant, com ele acabou desenvolvendo uma estética mecânica purista, considerando que poderia desse modo abranger todas as formas de expressão, surgindo em 1920 a publicação de um ensaio sobre o purismo na redacção conjunta, mais Paul Dermée, do L’Esprit Nouveau que se prolongou até 1925.

Nesse artigo, estava latente a vontade de atender às exigências funcionais através da forma empírica, e por outro, o impulso de utilizar elementos abstractos de modo a atingir os sentidos e nutrir o intelecto, a que veio a designar como a estética do engenheiro.

Outro aspecto da Estética do Engenheiro, no design de produtos era representado pelos navios, automóveis e aviões.

A terceira parte, retorna à antítese da arquitectura clássica, à lúcida poesia da Acrópole de Atenas, a exactidão técnica que se assemelhavam aos actuais processos dos instrumentos mecânicos.


Em 1922 até ao início da segunda-guerra, trabalhou com seu primo, Pierre Jeanneret, desenvolvendo os mesmos princípios, a Villes Pilotis, e a Casa Dom-ino.

O protótipo Dom-Ino, aparecia inicialmente como um recurso técnico para a produção, do outro era o jogo da palavra, evocando a casa tão estandardizada quanto um dominó, de claras influências industriais.

Esse jogo adquiria a força de um quebra-cabeças literal, onde as colunas livres podiam ser vistas em planta como pontos de dominó, em que o padrão em ziguezague de um agregado, nos remete para o próprio jogo.

Por esta altura sua arquitectura reforçava cada vez mais o sentido maquinista, em que acaba escrevendo em Vers une architecture; “Se eliminarmos de nossos corações e mentes todos os conceitos mortos a propósito das casas e examinarmos a questão a partir de um ponto de vista crítico e objectivo, chegaremos à “máquina de morar”, a casa de produção em série, saudável (também moralmente) e bela como são as ferramentas e os instrumentos de trabalho que acompanham nossa existência.”


Em 1922, a exposição no Salon d’Automne contou com um desenvolvimento e melhoria desses dois projectos, atingindo agora a Casa Citrohan e a Ville Contemporaine.














Na Casa Citrohan, criou pela primeira vez seu espaço vital característico de pé direito duplo, completado com um mezanino-dormitório e quartos para as crianças no piso superior, em que simplificava a fonte de luz, com uma abertura em cada extremidade, duas paredes laterais de suporte sobre uma cobertura plana. Era uma verdadeira caixa, que podia ser usada como uma casa, despreocupada com o contexto e a envolvência. Pode-se considerar como o ponto de partida dos 5 pontos por uma nova arquitectura, ainda que fosse apenas aplicável num desenvolvimento suburbano, tornando-se assim corrente nos seus projectos das cidades jardim em Liége e Pessac.

O nome Citrohan, que deriva da marca de automóveis, faz assim referência ao sistema de padronização de um carro, que se deveria corresponder numa casa.Porém, foi apenas em 1927 é que se assistiu à primeira Casa Citrohan autêntica, em Estugarda, na Weissenhofsiedlung. Com influências houve as da urbanização de Pessac que se marcavam pela integração consciente dos deslocamentos puristas cromáticos para a arquitectura, considerando que a cor poderia oferecer espaço, dependendo do modo como se estabelecia certos pontos invariáveis.


Ao contrário de seus contemporâneos europeus, Gropius, Mies van der Rohe, desejava desenvolver as conotações urbanas da arquitectura. A Ville Contemporaine de 3 milhões de habitantes, foi a demonstração dessa vontade em 1922. Influenciado pelos arranha-céus e a “cidade-coroa”, anunciada por Bruno Taut em Die Stadtkrone, projectou uma cidade capitalista de elite, que seria um centro de administração e controle, com cidades-jardim para os trabalhadores, situadas junto com a indústria, para além da “zona de segurança” do cinturão verde que envolvia a cidade.

As torres cruciformes, de dez ou doze andares, para os escritórios, tinham a finalidade de substituir as estruturas religiosas da cidade tradicional, chamando a si, a condição de centros de poder secular.

Sua inserção no espaço era variável, ou dispostas como bloco perimetral, ou em recuo, anunciando está o projecto da Villa Radieuse que consistia numa densa cidade elevada acima da superfície, de um parque contínuo, opondo-se ao conceito de rua tradicional, enveredando por uma ideologia da velocidade, como valor essencial para uma cidade de sucesso.















Esta mesma metodologia, é continuada no Plano Voisin para Paris em 1925, com uma ideia paradoxal de destruição da cidade, colocando o automóvel, num papel preponderante, como instrumento para a sua salvação.

A contribuição mais duradoura da Ville Contemporaine foi a sua unidade de Immeuble-Villa, uma adaptação da Casa Citrohan como célula base de moradias de grande altura e densidade habitacional.


A unidade Immeuble Ville foi finalmente trabalhada em detalhe e exposta como protótipo no Pavilhão do Espiríto Novo (Pavillion L’ Esprit Nouveau).

Ele perseguia a criação de protótipos, procurava neles a confirmação de novos modelos, que deveriam ser usados para o futuro, eram portanto, espaços de experimentação.

Este pavilhão era a condensação da sensibilidade purista, enquanto maquinista, visto destinar-se à produção em série e à agregação em alta densidade, sendo mobilada segundo o cânone purista dos objectos tipo (móveis Thonet, peças em ferro fundido).

Um conjunto equilibrado de objectos populares, artesanais e industrializados, que em seu espírito estava em dívida com Loos, e se manifestou essencialmente contra o movimento Art Deco.

Em 1925, retomou ao tema da villa burguesa, primeiro fazendo a casa Cook, demonstrando Les 5 points d’une architecture nouvelle, seguindo-se a Meyer, Garches e a Savoye.


Todas elas dependiam da sintaxe de 5 pontos:

Os pilotis que elevam a massa acima do solo;

A planta livre obtida mediante a separação entre as colunas estruturais e as paredes que subdividiam o espaço;

A fachada livre, o corolário da planta livre no plano vertical;

A fenêtre en longueur, a longa janela corrediça horizontal;

Jardim de cobertura que supostamente recriava o terreno coberto pela construção da casa;


O potencial da estrutura Hennebique da casa Dom-Ino, e as sólidas paredes lateriais da Casa Citrohan determinaram o partido básico de todas estas casas, com o uso liberal de colunas livres, fachadas com janelas enfileiradas e lajes de piso em balanço.

De assentamento purista, de planos frontalizados no espaço, e o jogo com a transparência literal e fenomenal, a Casa de Garches, que pode ser comparada à Villa Malcontenta, foi significativa pela solução de um antigo problema de Loos, que consiste no modo de combinar o conforto e a informalidade da planta Arts and Crafts, com as asperezas da forma geométrica ou neoclássica. Existe também o problema de como conciliar o domínio privado com a fachada pública da ordem arquitectónica.



















A Villa Savoye, parece influenciada pela Villa Rotonda de Palladio. A planta quase quadrada, o andar térreo elíptico e sua rampa centralizada, são uma metáfora da Rotonda. Enquanto Palladio insiste na centralidade, Corbusier afirma no seu quadrado auto-imposto, as qualidades espirais da assimetria, da rotação e dispersão periférica, tornando o Classicismo eminente claro.


Em 1927, com a participação no concurso para a Liga das Nações (société des nations), foi o primeiro projecto para uma grande estrutura pública. Até ai a atenção tinha-se concentrado na casa, na simplicidade que acompanha um prisma básico, sendo então abordada de um modo elementarista, primeiro estabelecem-se os elementos construtivos, que serão manipulados gerando ordenações alternativas, tal como faziam Gaudet, Perret e Garnier.

A solução sintética, mas de organização assimétrica sugere um conflito entre a lógica circulatória do desenho simétrico e uma preferência clássica pela abordagem axial da fachada principal.

Ao mesmo tempo que é o clímax, é também um ponto de viragem onde culmina seu período purista, representado agora em suas pinturas figuras, que tinham o significado de evocar a emoção poética.

Assim a pintura que se tornava orgânica e figurativa, sua arquitectura adquiria uma configuração cada vez mais simétrica, distanciando-se dos seus seguidores do Movimento Moderno, especialmente os de convicções políticas de esquerda, provocando uma certa desconfiança ideológica, pois combinava a assimetria de livre flutuação e a inovação técnica, com um inegável monumentalismo, expresso na fachada de pedra e na hierarquia do sistema de entradas com sete portas que conduziam as diferentes classes.


Seu Mundaneum ou Cite Mondiale, em Genebra era um centro de pensamento mundial, mas que mantinha a mesma dictomia clássica Palladiana, com a estética mecânica purista.

A aspiração de Corbusier é a de resolver a dictomia entre a Estética do Engenheiro e a Arquitectura, em combinar a utilidade com a hierarquia do mito, mas que iria fazê-lo entrar em conflicto com os designers funcionalistas-socialistas, como é exemplo Karel Teige ou Hannes Meyer, defendendo-se com um ensaio, em que defende que todas as coisas do mundo são produto da fórmula função, tempo, economia o que faz com que nenhuma dessas coisas seja uma obra de arte, pois toda a arte é composição, desse modo imprópria para um fim específico. Toda a vida é função, portanto não artística. De que modo se faz um projecto? Competição ou Função? Arte ou vida?

Considerava adiante que no movimento da Neue Sachlichkeit, duas palavras foram mortas, Arquitectura e Arte, para serem substituídas por Construir e Viver.

A mecanização oferece hoje uma produção gigantesca, estando a arquitectura sobretudo no navio de guerra, já que se a arquitectura é um fenómeno de criação, segundo um ordenamento. Quem determina o ordenamento determina a composição.


A Estética e Arquitectura do Engenheiro, parecia entranhada na ideologia de Corbusier, considerando que quanto mais íntima a relação entre o homem e o objecto, mais o objecto deveria seguir os contornos formais do homem, ou seja aproximar-se da Estética do Engeneheiro, e quanto mais distante esta relação, mais tenderá para a abstracção, ou seja para a arquitectura.

Em termos construtivos, viu-se mais complicado conciliar toda a ideologia, pela exigência de uma produção de grande escala, e a necessidade de distinguir a criação do monumento exclusivo, e a potencialização dos métodos racionais. Desse modo acaba abandonando o seu bloco perimetral, ou Immeuble-Villa, em favor de uma arquitectura mais apropriada à produção em série, surgindo o bloco da Cidade Radiosa, projectado como uma faixa contínua de moradias “alinhadas”.

A diferença destas unidades de habitação, compreende-se quer a nível organizativo quanto formal.


A Immeuble Villa preconiza o suprimento qualitativo da casa com seu “jardim suspenso” como uma unidade autónoma, incorporando um amplo terraço ajardinado e um espaço vital de altura dupla de dimensões fixas.

A Ville Radieuse, segue critérios mais económicos, orientados para padrões quantitativos da produção em série. Os apartamentos eram flexíveis de pavimento único e extensão variável (mais económico em termos de espaço) optimizando-se cada centímetro quadrado de espaço, sendo divisões reduzidas ao mínimo, os quartos assemelhando-se à ergonomia de um comboio (wagon-lit), a ponto de serem inadequadas como barreiras acústicas. Ainda assim cada apartamento tinha uma certa capacidade de transformação, com a retirada das divisórias corrediças, potencializando diversos usos de um mesmo espaço.

Era evidentemente a tentativa de promover o equipamento normativo de uma civilização da era da máquina, próximo do desenho industrial e distante da arquitectura tradicional, distante do etos da cite Mondiale.

Esta atitude pode-se entender como a resposta ao desafio tecnocrático da ala esquerdista dos CIAM, composto pelos arquitectos da Neue Sachlichkeit, que os voltaram a desafiar em 1929 em Frankfurt, na reunião acerca do Existenzminimum, que determinaria os critérios ideais para o padrão mínimo de condições de habitação.


Esse encontro e as três visitas à Rússia, contactando com a facção esquerdista internacional, as moradias da OSA, com as suas unidades duplex encadeadas, para além do encontro com os conceitos da cidade linear de NA Milyutin, fizeram logo emergir as Unidades de habitação e a Cité Industrielle.

As transformações de seus protótipos da hierárquica Villa Contemporaine de 1922, converteu-se na Ville Radieuse “sem classes” de 1930, abandonando um modelo urbano centralizado, partindo para um conceito teoricamente ilimitado, em que procurava compor a complexidade, cujo princípio seguia a cidade de Milyutin, que a cidade linear era dividida em zonas de faixas paralelas, correspondendo a cada uma, um tipo de uso: Cidade-satélite dedicadas à educação; comercial; transporte, incluindo comboio e aeroporto; hotéis e residênciais; residencial; verde; industrial; armazéns e trens de carga; indústria pesada, e as zonas menos hierárquicas expandiam-se independentemente das outras.

É um modelo que torna paradoxo considerá-lo mínimo mas que levou o conceito da Ville Contemporaine à sua conclusão lógica, em que todas as estruturas eram erguidas acima do solo, inclusive garagens e vias de acesso, sendo o terreno transformado num parque de livre circulação, oferecendo assim à Ville Radieuse, alegrias essências, sol, espaço e verde, sendo este assegurado também pelo jardim na cobertura.


Mega-estruturas


Ainda não estava concluído este protótipo, e numa viagem ao Rio de Janeiro, cuja forma de integração da cidade com o mar e o resto da paisagem natural, idealizando uma cidade viaduto, composta por uma mega-estrutura de 6 quilômetros de cumprimento, 100 metros de altura acima do solo, e com 15 andares para uso residencial, colocados sobre a via. Esta impressionante mega-estrutura foi concretizada em Argel, estendendo-se ao longo de uma auto-estrada por toda a extensão de uma corniche



















Este projecto, Obus (termo de sentido militar), tinha 6 andares abaixo da superfície da estrada e 12 acima. Separados por 5 metros cada um dos pisos, albergavam dois andares de habitação, no estilo que ao utente lhe convinha, assim um novo tipo de infra-estrutura de apropriação individual, que se difundiu muito entre a vanguarda anarquista do pós segunda-guerra mundial.

Esta proposta, foi a sua última proposta urbana de grandeza esmagadora, a partir daí seria mais pragmático e os tipos de construção menos idealizados.

O arranha-céus cartesiano cruciforme foi abandonado, em favor do bloco de escritórios, em forma de Y para melhor distribuição solar. Do mesmo modo o Bloco da Ville Radieuse, foi distorcido e assumiu a forma arabesca do projecto Obus, e foi aos poucos eliminado, mas já utilizando a laje livre.

Zlín tornou-se a primeira formulação de Corbusier da cidade linear segundo o modelo soviético, sendo a sua tipologia identificada como uma das três unidades produtivas, sendo as outras, a cidade tradicional planejada radicalmente e a “cooperativa agrícola”.

Esses Les Trois Établissements humains, em 1944, focavam a reinterpretação das teses de planificação regional, considerando que todas as ligações entre as cidades rádioconcentricas existentes deveriam ser desenvolvidas com assentamentos industriais lineares. Zlín serviria como cidade linear industrial, e a fazenda radiante e o povoado radiante., desse modo seria possível urbanizar tanto a cidade quanto o campo, apresentado uma resolução para o problema de distribuição da população russa.

Embora a cidade radiante nunca se tenha concretizado, sua influência é determinante no pós-guerra Europeu.

A aceitação em 1950 do desenho existente de cidade jardim para Chandigarh, tal como produziu Albert Mayer, deixava claro o abandono dos ideias de criação de uma cidade finita de forma significativa, e que orientava a sua abordagem para a produção de modelos de crescimento dinâmico em escala regional.

Assim a sua “cidade ideal”, veio a reduzir-se ao centro governamental, uma estratégia mais realista, e que alude aos mestres do renascimento, que para compensar o todo irrealizável, projecta um elemento representativo à escala monumental, que ainda assim não perde qualquer interesse pela “era da máquina”, em especial os Objets types, que considerava essenciais na nova era.


Nessa índole entre 1932 e 1933, salientam-se quatro edifício que ressaltam esse espírito da era da máquina: Clarté em Genebra, o Pavilhão Suiço na Cidade Universitária, o Ed. do exército da Salvação e os apartamentos da Porte Molitor, todas em Paris. A fachada modular do tipo panverre, em vidro e aço, rompiam com a estrutura de concreto e alvenaria de blocos rebocados utilizadas nas villas da década de 20, exortando a “era da máquina” e a estética do engenheiro, na mesma altura em que dela perdia fé, começando a reagir contra a produção da máquina de habitar.


Corbusier Regionalista, de características Vernáculas


Em 1930, a busca de autoridade, reflectia a ambivalência sentida por Corbusier, em relação à industrialização. Seu pensamento e arquitectura, tinham a esperança de uma sociedade industrial que tinha capacidade de criar uma ordem genuína e prazenteira. Por outro lado existia o medo, de uma industrialização pervertida e descontrolada que pudesse destruir a civilização.

A questão é que elementos técnicos primitivos começaram a aparecer em sua obra, com uma frequência e liberdade de expressão cada vez maiores. Casa Errazuriz, Pavillon des Temps Nouveaux.

Com essas novas obras, de influências dos templos hebraicos e da arquitectura tradicional mediterrânica.

Com esta série de obras, o ónus da expressão, passava de uma forma abstracta para o próprio meio de construção, considerando que os elementos de construção passavam a ser o único meio arquitectónico.

Pareciam assim ser metáforas sofisticadas de um futuro menos doutrinário em que o homem teria a liberdade de misturar técnicas primitivas e avançadas, segundo suas necessidades e recursos.

No ensaio Decisões, ele estabeleceu as precondições políticas sob as quais suas ideias urbanas poderiam ser postas em prática, vacilando entre o socialismo autoritário utópico de Saint-Simon e as tendências anarco-socialistas de Fourier.


Em 1920, a ligação da arquitectura ao ambiente natural já havia sido pensada, mas nunca imaginada a uma escala tão monumental. Essa mudança subtil de sensibilidade topográfica contrastava com a aceitação da construção “vernácula” enquanto modalidade de expressão, em que explorava as próprias qualidades expressivas do material.

O rompimento com a estética purista e da era da máquina, parecia consumado, influenciando-se agora pelo brutalismo, expressado especialmente pelo pintor Fernand Léger, e um toque surrealista (como a comparação da lareira do solário ao arco do triunfo) latente na Casa Mandrot e em Ronchamp.

Desse modo, o seu estilo assumiu duas direcções, a obra residencial de linguagem vernacular, e monumentalidade de grandeza clássica, como na Cite Mondiale de Paul Otlet.

Em 1935, o vernáculo estava sendo conscientemente assumido, justapondo materiais contrastantes, justificado pela necessidade de enriquecer a natureza abstracta e redutora do estilo purista, valorizando-a a sua expressividade, mas também como meio de construção. Essa adesão a materiais naturais e métodos primitivos teve consequências que vão para além da mudança da técnica ou estilo. Acima de tudo era o abandono do envoltório clássico por uma força expressiva de um único elemento arquitectónico, fosse um telhado de duas águas suportado por paredes cruzadas, ou uma abóbada cilíndricas.

Assim surge a Maison Jaoul, completamente oposta à tradição racionalista da arquitectura moderna, manifestada por superfícies lisas, mecânicas e planares, dentro de uma moldura estrutural articulada. Aqui, excepto o vidro, mais nenhum material sintético foi usado, atingindo a arquitectura um nível quase medieval, numa filosofia de arte pela arte, em que a própria janela não é mais a fenêtre en longeur através da qual se via o mundo, mas uma guarnição emoldurada, de um “olho que encontra interesse em cada parte de um empaste superficial”.

Era assim uma reinterpretação monumental de um vernáculo mediterrânico, cujo efeito provinha tanto de sua solenidade introspectiva quanto de sua escala.


A Unité d’Habitation de Marselha, edifício de 18 andares, concluído em 1952, estava compormetida com métodos de construção “brutalistas”, apesar de o autor tentar transmitir a dignidade da arquitectura à mais simples moradia individual.

A brutalidade, começa a ser anunciada nos pilares, apenas justificados por motivos de fórum existencialista.

De complexidade muito superior a qualquer outra ville, cada unidade celular era revelada por anteparos solares que se projectavam do corpo principal. Esses brise-soleil, enfatizavam o volume das unidades de dois andares, estendendo-se através da largura do bloco.

Ruas horizontais, pareciam circular interior, em andares alternados, realizando o acesso às habitações. Essa morfologia celular, procurava expressar moradias privadas, em que as funções comerciais (incluindo um hotel) e as instalações comunitárias procuravam ser um aglutinador social, contendo mesmo ginásios, pistas de corridas lago, jardins de infância, e uma cobertura animada, remetendo-nos para os blocos comunitários soviéticos dos anos 20.

O status honorífico (honra) desse conjunto era expresso no piso térreo, em que as colunas cuidadosamente perfiladas, de acordo com o Modulor sugeriam a invenção de uma nova ordem clássica.


A capela de Ronchamp, projectada em 1950 e o Mosteiro dominicano de La Tourette, representavam os dois tipos principais de construção – o sacro e o retiro.

O mosteiro, busca o paradigma de solidão e comunhão da Cartuxa de Ema de 1907, em que Corbusier reintepretava esse modelo ideal, compreendendo a igreja pública e o claustro privado, num lugar construído que é tudo ou nada, em que a arquitectura e a paisagem são experiências lúcidas e distintas que se contradizem no seu diálogo mas esclarecem o significado um do outro. Completamente distinta desse jogos é a construção e o lugar em Ronchamp .

O telhado em concha com sua gárgula gigantesca, mais as capelas laterais e o altar procuram responder a uma acústica visual, de uma paisagem ondulante. A estrutura suspensa por cabos do Pavillon des Temps Nouveaux, serve de modelo, inspirado na reconstrução de um templo hebraico do deserto.

O perfil de catenária (curvado, fixo apenas nas extremidades) do telhado de lona, é o equivalente à cúpula renascentista, um signo do sagrado.

Na orientação está ligado à história do lugar, mas o vernáculo aparente é simulado, ocultando uma estrutura de concreto, num tratamento texturado pontilhado e caiado, frequente da arquitectura popular mediterrânica, opondo-se à reinterpretação monumental.

Procura então uma simbiose escultórica entre o edifício e o local, remetendo-nos para a Acrópole, e o seu sentido de unidade, em assumindo um principio da ”acústica visual”, e também das pequenas formas vulcânicas e montanhosas que irrompem da cobertura.


Este texto é baseado essencialmente no livro história crítica da arquitectura contemporânea do Kenneth Frampton, e também no livro Depois do movimento moderno de Josep Maria Montaner, ambos editados pela GG.


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Adolf Loos













Adolf Loos 1870 - 1933

Depois do seu curso, e de regressar de Chicago por quem se familiarizou com os feitos da Escola de Chicago e os escritos teóricos de Louis Sullivan, como Ornament in Architecture, acabou por publicar em 1908 Ornamento e crime, onde expôs a sua divergência com os artistas da Secessão Vienense, dando voz numa discussão que remonta de 1900 nas suas fábulas contra o conceito de Gesamtkunstwerk “ A história de um pobre homem rico”, em que retrata a felicidade que a Arte poderia proporcionar, mas que trabalhada de um modo exclusivo – obra de arte total - daria a sensação de uma plenitude, um estado completo ao individuo, compreendendo um final da sua própria aspiração, passando a arte a ser um fardo a carregar para toda a vida, tornando-se o individuo um ser ausente, pois já não tinha futuro por ambicionar.

Criticou, em especial a Secessão Vienense, Henry Van de Velde e Olbrich, considerando o último progenitor do ornamento ilegítimo. Para Loos o ornamento moderno não tem antepassados ou descendentes, passado ou futuro, por isso é recebido com alegria pelas pessoas incultas para as quais a verdadeira grandeza da nossa época é um livro fechado, vendo no trabalho do marceneiro uma espécie de escravatura.

Em 1910 Loos já começara a perceber toda a força da conjuntura moderna. Do seu ponto de vista o arquitecto originário da cidade era alguém desenraizado, por isso alienado do vernáculo rural, que era inato dos seus antepassados, mas essa perda não podia ser compensada herdando uma cultura aristocrática do classicismo ocidental, defendendo que toda a cultura dependia de uma certa continuidade com o passado, acima de tudo deveria existir um consenso quanto à tipificação.

Criticava, então o facto de terem criado uma cidade como se todos fossem aristocratas, ele considerava ser importante mudar-se, mas questionava-se o que substituiria uma arquitectura palaciana por uma popular.

Considerava então, que só uma parte muito pequena da arquitectura pertence à arte: o túmulo e o monumento. Tudo que serve a um fim, não poderia ser considerado arte.

Porém, atrás de toda esta ideologia que se identifica mais com a cultura americana do que a inglesa, privilegiando a pureza, a não ostentação, o mobiliário anónimo, a sua obra expressa uma vertente mais eclética entre a rusticidade confortável e a austera monumentalidade. Acabou por admitir a apropriação eclética do ornamento arqueológico, excluindo a invenção da decoração moderna, sendo os interiores ornamentados e sempre que possível a mobília era embutida. Considerava que as paredes de um edifício e o mobiliário não móvel, o tratamento pertencia ao arquitecto, enquanto que o mobiliário móvel deveria ser adquirido pelos próprios utentes.

No Edifício Goldman & Salatsch na Michaeller Platz em Viena, entre a memória da cidade, constrói uma nova arquitectura livre das formas anacrónicas do passado, considerando que poderia não ser bom ou mau, mas não era provinciano, tendo sentido urbano, em que só se poderia inserir numa metrópole.









Influenciado pelos arranha-céus americanos (Chicago), como o seu sistema tripartido, sendo a base de máximo valor representativo, o edifício geométrico e o coroamento é trabalhado.

Pelos materiais acaba por distinguir as funções, escondendo a estrutura, e apesar de tudo recorre-se das Bow Window, uma referência da arquitectura inglesa.












Um edifício refinado, quer no tratamento geométrico de precisão dos traçados, no ritmo imposto, e na elaboração cuidada do remate. Porém de salientar é o ornamento ter sido substituído pela nobreza dos materiais.









Em 1910 executou a Casa Steiner (1) em Viena, sendo a primeira de um série de casas nas quais Loos foi desenvolvendo a sua concepção do Raumplan ( Espacialidade Planta - plano de volumes) , um sistema complexo de organização interna que foi culminar nas casas de vários níveis.












Acaba, subvertendo com mestria a normativa, apresentando dois andares na frente, e quatro atrás.












A linguagem externa é já abstracta, demonstrando capacidade de manobrar uma sintaxe purista, sendo constituída por um prisma branco sem adornos, antecipando o estilo internacional.

Na Casa Rufer mantêm o conceito de Raumplan, mas as aberturas são dispostas com maior liberdade, seguindo a disposição dos volumes internos, um contraponto elevacional que antecipou as obras do De Stijl.

Atingiu a sua apoteose nas Casa Moller e Muller (1) em 1928 e 1930, havendo deslocamentos nos níveis dos andares, não apenas para criar movimento espacial, mas também para diferenciar um espaço do outro, inspirado no típico plano irregular do Neogótico, existindo então uma forte fluidez visual, mas nem sempre física.

Casa Moller - Viena
















































































































Apesar da predileção clássica pela forma cúbica, ele não poderia aceitar a aglomeração pintoresca, acabando manipulando o volume do prisma, de forma a criar uma composição dinâmica em corte, e uma nova dinâmica espacial, desenvolvendo os planos em diferentes posições altimétricas num núcleo autónomo.









As intenções plásticas eram incompatíveis com uma arquitectura de distinção entre elementos estruturais e não estruturais. Loos na obra pública preocupava-se em manter estas distinções mas ao nível residencial dava primazia à sensação de espaço e não à revelação da estrutura arquitectónica, deformando intencionalmente os planos de forma a alcançar uma promenade architectural.

Esta articulação de espaços verticalmente talvez remeta às influência americanas.

Nas construções havia um predomínio do vazio sobre o cheio, sendo o exterior mais urbano e monumental, enquanto o interior rústico de comodidade informal anglo-saxónica era um apelo para Loos.

Um dos paradoxos de sua carreira, é que apesar de ser burguês e do bom gosto, ter criado seus maiores projectos ao serviço dos desfavorecidos. E o facto de estar em Paris no pós-guerra, onde nenhum meio estava mais bem preparado para acolher essa sensibilidade hiperconsciente, ninguém teve fé ou recursos capazes de levá-lo a concretizar seus projectos.

Fica, por isso o seu papel essencialmente marcado por ser pioneiro, compreendendo uma cultura ética e estética, dotado de uma estranha percepção, e um critico da cultura moderna, como a formulação do Raumplan, como estratégia arquitectónica para transcender o legado cultural contraditório da sociedade burguesa, que privada do vernáculo assume uma cultura clássica.

Sua importância, também se denota no refinamento do programa tipológico do Purismo: o impulso de sintetizar em todas as escalas os “objectos-tipo” do mundo moderno. Acabou por postular o problema de como conciliar a propriedade da massa platônica com a conveniência do volume irregular, estudada na Villa no Lido em Veneza, tornando-se a forma-tipo da villa canónica de Corbusier, - Villa Purista em Garches - mas que seria resolvida mais tarde com a planta livre por Corbusier.


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Frank Lloyd Wright












Frank Lloyd Wright - 1869.1959

No inicio da década de 1890 trabalhava com Adler e Sullivan, que sugerem uma visão exótica que inspirou o inicio da sua carreira, consistindo na transformação da técnica industrial por meio da arte, oscilando entre a autoridade da ordem clássica e a vitalidade da forma.

Sullivan e Wright partilhavam a paixão pela jovem cultura igualitária do Novo Mundo, que segundo eles não poderia ser demonstrada de uma forma tão pesada, e convencionalmente católica, quanto o romântico de Richardson. Desse modo, voltam-se para Owen Jones, e a Grammar of Ornament, que era carregada de exemplos ornamentais, tão determinante na sequente decoração por ambos realizada.

O Mito da Pradaria


















Na Winslow House de Wright, o problema de desenvolver um formato igualitário, mas apropriado foi provisoriamente resolvido, fornecendo dois aspectos diferentes da mesma casa, sendo a frente urbana simétrica e recuada em eixo, e a fachada do jardim ou “rural”, assimétrica e recuada de um dos lados. Este processo antecipa o estilo da pradaria, em que distorções irregulares para trás de uma fachada formal acomodam convenientemente espaços deselegantes.

Surgem outros elementos característicos, como o telhado de pouca inclinação, a animação das superfícies com faixas de ornamentos e cornijas lineares – influência de Sullivanpara além do ênfase espacial dado à lareira, remetendo-nos para a arquitectura japonesa, um pouco em resultado do projecto de reconstrução do templo de Ho-o-den.

Manson, encontra outros motivos que caracterizam esta assimilação:

* A tradução do tokonama, elemento permanente do interior japonês e centro das cerimónias e da contemplação doméstica, em sua contrapartida ocidental, a lareira, expandindo a lareira, até atingir uma dimensão animista.

* A franca revelação da alvenaria da lareira e da chaminé como expressão de abrigo, enfatizada como a única substância sólida desejável num interior de crescente fluidez.

* A abertura para fora, partindo-se da lareira, em direcção às áreas cambiantes de vidro em seus limites externos, jogando com superfícies translúcidas.

* Grandes beirais para modificar e controlar a intensidade da luz que não deixam entrar protegendo-as do tempo.

* Cobertura saliente para melhor equilibrar a ligação entre interior e exterior

* Planta livre

* Simplicidade

* A divisão do interior e suas diferentes unidades por biombos, em vez de divisórias, validando e acomodando assim os usos humanos flutuantes que lhe são propostos.

* Não procura fragmentar o espaço, mas aproximar-se subtilmente de um espaço único.

* Subdivisão do interior por unidades de elementos livres.

* Espaço modelado pela espacialidade, e forma do tecto, zona central mais alta, mais próxima dos pólos, janelas mais baixa.

* A eliminação de qualquer remate esculpido e envernizado em favor de superfícies planas em madeira natural.

Em novas construções, novas influências haviam surgido, como o estilo Froebel, e levaria mais dois anos a consolidar-se mais o estilo da pradaria, com as residências Heller e Husser, reforçando as coberturas salientes, terraços baixos, paredes contíguas isolando jardins privados.



























Heller House - Chicago - Illinois

Esta afirmação definitiva do estilo da pradaria coincidiu com a sua maturidade teórica em que manifesta que a máquina podia ser utilizada inteligentemente, de acordo com suas próprias leis como agente de abstracção e purificaçãoThe Arts and Crafts of the Machine.

Para Wright esse era o único meio para redimir os danos da industrialização, em que a Arte deve sussurrar uma idealidade! Ter uma Alma.









Richard Bock, escultor, surge como o iconógrafo desse espírito, concebendo a Musa para a Dana House, procurando ai reunir os elementos abstractos de uma máquina cultural exótica, peça por peça.

O estilo Pradaria cristalizou-se nas plantas das residências Ladies’ Home Journal, estabelecendo, um plano térreo aberto contido num formato horizontal que compreende telhados de pequena inclinação e muros limítrofes baixos. O perfil deve ser deliberadamente baixo integrando-se ao sítio, em forte contraste com as chaminés verticais e os volumes internos de pé direito duplo.

Movimento Unitário e da Gesamtkunstwerk

A cissão entre a expressão monolítica e articulada resolveu-se quando começou a trabalhar para a família de empresários de Bóston, Martin.
Desenvolveu o Larkin building, uma igreja e a Martin House, que representam o surgimento do seu estilo maduro, em que a base clássica coberta de toques exóticos é transformada num estilo autêntico seu.












Na Casa Martin, é uma obra exemplar onde procura combinar os seus lados orgânico, racional e espitural.



















Continua portanto a valorizar a posição da lareira, num espaço central, enquanto foi colocado menos enfâse à questão da simetria, - não sendo já vista como limite - em que a própria galeria que conduz ao jardim de Inverno é ladeado por dois jardins. Procura num trabalho modular intenso combinar com a natureza – a parte orgânica, conjugando com a mecanizada – aproximando dois pólos tão distintos, mas que executa de forma exemplar. De planta térrea fluida, valorizando uma espacialidade horizontal, adopta um sistema distributivo rico como mecanismo do espaço, em que o articula normalmente de forma sequencial, que ora estrangula, direcciona ou igualiza, podendo provocar até simetria em que dá o mesmo valor aos elementos.

As coberturas são de reduzida pendente para reforçar o sentido horizontal e homogeneizar todo o espaço. O perfil também é baixo, para acentuar a horizontalidade, e quando é rompido é pelo espaços serem mais importantes – elemento central mais alto, pólos com pé-direito mais baixo. Fenestração horizontal bastante intensa, formada por uma carreira de janelas, em que existe já uma sintaxe entre a horizontalidade do edifício e a verticalidade dos vitrais.

Há a procura do fundir a natureza com os materiais e a tecnologia, sendo os muros baixos, e os próprios materiais, como o tijolo serem manipulados para acentuarem o sentido horizontal. Enquanto espaço exterior, podem ser cobertos, e os que são mais contíguos à construção são geometrizados.

Ambos os edifícios públicos compreendem um só espaço interno, iluminados de cima e rodeados de galerias dos quatro lados, sendo servidas por escadas a cada canto, e as elevações da próprias igreja iguais de todos os lados, simbolizando a unidade, revolucionando o pensamento industrial da época, sendo uma referência incontrolável à arquitectura do terciário.

Estes edifícios estavam dotados de inovadores sistemas tecnológicos, usufruindo de sistemas de controle ambiental, tendo por exemplo ar condicionado, autoclismo, mobiliário metálico e caixilharia metálica.

Este sentido unitário universal do sagrado (sacramento do lar, trabalho, assembleia religiosa), tinha como objectivo à semelhança de outros contemporâneos europeus a consumação de um ambiente total, que abrangesse e afecta-se toda a sociedade. Desse modo acabou por montar um atelier carregado de artificies e técnicos no sentido de projectar e realizar a sua visão de uma Gesamtkunstwerk – obra de arte total.

Em 1905 a sintaxe do estilo pradaria estava firmemente estabelecida. Apesar disso a sua expressão variava entre dois pólos, um errante, assimétrico e pitoresco – Avery Coonley House (2) de 1908 – e outro compacto, quadriculado, simétrico e arquitectónico – Robie House. (1)



O hotel imperial de Tokyo foi a derradeira tentativa de consumar a sua visão como expressão universal, em que procura petrificar essa sua cultura do novo mundo.

A subcultura da pradaria esgotou-se aqui num estilo hermético, em que estando longe do contexto americano, Wright procura afinidades com a tradição da alvenaria local. Composto por perfis pré-colombianos, e alusão a referências exóticas, acabou por ser a formula teatral das casas Hollywoodianas que Wright projectaria.









Casas Usonianas e a Broadacre City

Uma segunda fase da carreira de Wright, iniciou com os projectos que exploravam as capacidades de balanço do concreto armado, nos Apartamentos Elizabeth Noble. Esta alteração deveu-se essencialmente à depressão económica que se verificava, tendo de abandonar os seus sonhos Eldorados e as casas de estilo Maia para os ricos do sul da Califórnia, abandonado assim o estilo da Pradaria.

Desde a sua palestra em 1901, da Arte e Oficio da Máquina, reconhece uma profunda mudança na natureza da civilização. Ainda assim até 1920 continuava a insistir na autoridade dos métodos e materiais tradicionais, até que baseado no vidro e no concreto armado criou uma arquitectura prismática e facetada, cujo exterior de vidro, sustentado por uma armação de planos flutuantes, transmitia uma ilusão de leveza absoluta, vindo a aclamar o vidro como o material moderno por excelência, permitindo diferentes formas de trabalhar com a luz, sendo o trabalho das sombras as pinceladas do arquitecto antigo.







Em 1928, utilizou o termo Usonia, referindo-se a uma nova forma de cultura igualitária, que iria surgir nos Estados Unidos, remetendo a um individualismo de raízes populares, e à concretização de uma nova forma de civilização, por si dispersa, abolindo a distinção entre campo e cidade.

Surge então a Broadacre City (1), (2), (3), (4), (5), defendendo uma redistribuição da cidade concentrada do século XIX, por uma rede de traçado regional.

Uma das ironias deste projecto, encontra-se no facto de este projecto, de urbanismo radical, ter correspondido aos preceitos de um Manifesto Comunista em que defendia uma distribuição equânime da população na terra, abolindo a distinção entre cidade e campo.

Muito mais tarde em 1928, acerca da Usonia argumenta “ Usonia queria romance e sentimento. A incapacidade de tê-los conseguido é menos importante do que o facto de que foram buscados”.

Estranhamente, os primeiros projectos desta cultura Usoniana, tinham uma aspecto mais urbano que rural – Apartamentos St. Mark e o Capital Journal.












Na Price Tower em Oklahoma, e no edifício Johnson Wax Administration em Racine, já se encontram mais condizentes com a sua ideologia anterior, consistindo em sistemas de concreto armado envolvidos numa membrana cristalina, mas com fortes influências do Edifício Lark, associando a construção do lar aos processos da natureza, como a ideia de local de sacramento ao local de trabalho.


No período Usoniano esta polaridade é reformulada, na casa Kaufmann, Falling Water e no edifício Johnson Wax Admnistration.












Utiliza então, pela primeira vez a expressão orgânico, passando a significar o uso de balanços em concreto como se tratasse de uma forma natural. Parece então ter chegado à concepção da metáfora “germe seminal” de Sullivan, que era apenas expressa em termos de ornamentação, porém agora seria representada formalmente.

Esta metáfora orgânica, foi o destino expressivo da Usonia, que se constituía por uma poesia de técnica miraculosa, que emergiu de uma ousada inversão dos elementos tradicionais. Desse modo, onde se esperaria o sólido, encontramos a luz (tecto) e onde esperávamos luz encontrávamos o sólido (paredes).












Johnson Wax Administration, reinterpretava o local de trabalho naquilo que ele tem de sacramental, em que a construção em concreto em forma de cogumelo, levou a um novo desenvolvimento, de cantos curvos e um vocabulário circular, que conferia uma aura moderna
aerodinâmica, que ainda perdura. Esta mesma atmosfera de ficção cientifica, transformou o edifício num local de trabalho monástico e discreto.











Falling Water corporificava o ideal Wrightiano da fusão entre o lugar em que se vive e a natureza. O concreto foi o ponto de partida, dominado por um romântico gesto estrutural de projecção em balanço, afastando-se definitivamente do limite da linha de horizonte dominante nas casas da Pradaria, constituindo-se por uma aglomeração de planos milagrosamente suspensos no espaço a diferentes alturas.

Sua fusão com a natureza é total, em que o interior evoca a atmosfera de uma caverna mobilada e os materiais ( paredes de pedra rústica e os pisos lajeados) revelam a intenção de prestar uma homenagem primitiva ao lugar.

Ainda assim Wright via o concreto como um material ilegítimo, desse modo acaba por fazer o acabamento com tinta de cor de damasco.

Broadacre City e a cultura usoniana eram conceitos inseparáveis, a primeira provia da intenção básica, por trás de uma série de construções que eram a substância arquitectónica da segunda.

As casas Usonianas, (1), (2) eram pequenas, aconchegadas, de planta aberta destinadas à comodidade, à economia e conforto. O coração da casa era a cozinha “tempo e movimento”, um espaço de trabalho livremente planejado a partir do volume habitacional. Os assentos dispostos continuamente junto às paredes, com a finalidade de ampliar o espaço das casas pequenas.

As casas usonianas unifamiliares eram projectadas como reserva habitacional da Broadacre City, o elemento essencial a construir-se era a Fazenda-Modelo de Walter Davidson, projectada em 1932, destinada a facilitar a admnistração económica tanto da casa quanto da terra, sendo crucial para a economia geral onde cada homem cultivaria o seu próprio alimento. Não obstante este plano não era mais do que uma actualização da economia de subsistência defendida por Peter Kropotkin, no seu livro, Factories, Fields and Workshops, mas a verdade é que esta economia individualista quase agrária não era capaz de garantir para uma sociedade

industrializada, nem a subsistência nem os benefícios da produção em série. O próprio Kropotkin reconheceu a necessidade de concentração de recursos e mão-de-obra para os processos da indústria pesada.

Deste modo, esta nova sociedade igualitária defendida por Wright, que valorizava essencialmente a Eletrificação, a mobilização mecânica (automóvel e aeroplano) e a arquitectura orgânica, e atacava incansavelmente o aluguel e o lucro, não conseguiu defrontar-se com a questão de poder, que exceptuando a referência de um imposto único, evitou sempre as questões de classe e poder.












O ponto culminante da última fase da sua carreira, combina os princípios estruturais e espaciais da Falling Water com a iluminação do Johnson Wax, na construção do Museu Guggenheim de Nova Iorque. (1), (2), (3) , (4)


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